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Embrapa hortaliças lança tecnologia de processamento de cenouras

01/12/2001

* Artigo publicado no Hortinforme - Informativo Externo da Embrapa Hortaliças - No. 10 - Dezembro 2001

A Embrapa Hortaliças acaba de lançar uma tecnologia de torneamento de cenouras, O méto­do de processamento permite às agroindústrias brasileiras a produ­ção de mini-cenouras, semelhantes às baby carrot importadas, e um novo formato de cenoura, em boli­nhas. O novo processo, dividido em etapas, consiste na classificação, corte, torneamento, acabamento, sanitização, embalamento e armazenamento
do produto final, a mini-cenoura. Todo o passo-a­disponibilizado pela Embrapa Hortalicas aos interessados.

Primordial para o desenvolvi­mento do novo processo foi a adap­tação, pelos pesquisadores da Unidade, de um equipamento nacional para a confecção das cenouras pro­cessadas. O início das pesquisas, desenvolvidas por Milza Lana, Jairo Vieira, João Bosco da Silva e Dejoel de Barros Lima - todos pesquisadores da Embrapa Hortaliças - foi no início de 2000.

A expectativa de João Bosco, pesqui­sador envolvido na adapta­ção, é que uma máquina naci­onal, com me­nor custo, vai permitir às agroindústrias familiares de pe­queno e médio porte adquirirem o equipamehito. Até então existia apenas um torneador disponível no mercado, importado dos Estados Unidos e voltado para o processamento em larga escala.

O novo equipamento possui ainda um sistema de reciclagem de água, que permite uma economia de até 75% no consumo. Um siste­ma de automatização do tempo de processamento também foi desenvolvido. O torneador de cenouras tem um consumo de energia elétri­ca baixo, de menos que 0,25 kwats/ hora, bem menos que um ferro de passar roupas (1,2 kwats/hora).

A nova tecnologia vêm dar fim a uma limitação das agroindústrias brasileiras, que não possuíam tecnologia e equipamentos neces­sários para a fabricação de mini-cenouras. Este tipo de produto era muito apreci­ado pelo consu­midor brasileiro até 1998, quando havia a paridade entre real e dólar. Naquele ano, a importação de cenouras processadas ficou em um milhão de toneladas. No ano de 2000, com o dólar em alta, as im­portações baixaram para 200 mil to­neladas. Os dados são do Secex/ Decex, do Ministério do Desenvol­vimento da Indústria e Comércio. Para o pesquisador Jairo Vieira, está aberto um novo mercado para as agroindústrias brasileiras. “Eu acredito que, com esse novo produ­to, cada dia mais pessoas vao passar a consumir ce­noura proces­sada".

O pes­quisador ba­seia-se nos dados do mercado norte americano que, no início da década de 90, consumia cerca de 90% da cenoura in natura. Depois do surgimento da baby carrot, os dados inverteram-se e hoje 90% do consumo é de cenou­ras processadas. Para o pesquisa­dor, o mercado de hortaliças mini­mamente processadas atende às necessidades atuais dos consumi­dores, que buscam produtos práti­cos e saudáveis, que possam ser consumidos na hora.

Tecnologia a serviço do produtor

A tecnologia - O processo consiste no torneamento de pedaços de raiz, pelo atrito com uma superfície áspera, num equipamento comercializado atualmente como descascador de batata.

A matéria-prima para o processamento mínimo da mini-cenoura deve ser de raízes finas tipo lA, com diâmetro variando até 3 cm. Este tipo de raiz normalmente é vendida abaixo do preço de mercado pelo produtor, e as vezes sequer é colhida. O motivo é que o consumidor não se interessa por raízes finas. “O processo abre um novo mercado também para o produtor, que pode vender as raízes 1A às agroindústrias. Este tipo de raiz represen­ta cerca de 10% do que é produzido no país, explica Dejoel de Barros Lima.

A cultivar de cenoura Alvorada, desenvolvida pela Embrapa Hortaliças, é a mais reco­mendada para a produção de mini-cenouras, por possuir coloração uniforme de raiz e baixa incidência de ombro verde, afirma Jairo. A Alvorada também beneficia o consumidor, já que este vai comer uma cenoura com 35% a mais de pró-vitamina A que as outras cultiva­res nacionais.

O material descartado para a produção da mini-cenoura pode ainda ser aproveitado pelas agroindústrias familiares. Pedaços de raízes com mais de três centímetros ou muito pequenos podem ser processados na forma de cubos, palitos, rodelas ou ralados. O subproduto originado do torneamento pode ainda ser desidratado e utilizado como ingredi­ente para ração animal.

Até hoje, nenhum país da América Latina possuía a tecnologia de produção de baby carrot em escala comercial. Estados Unidos, Europa e Austrália dominavam o mercado. Por este motivo, um pacote de um quilo de rninicenoura importada pode ser encontrado no mercado brasileiro por até R$ 17,00. A única agroindústria brasileira a produzir mini­cenouras (com tecnologia e matéria-prima importadas) cobra R$ 6,00 o quilo.

Ver etapas do processamento da baby carrot

Ver sementes de cenoura disponíveis
 

 
 
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